A situação vivida no Parlamento é potencialmente explosiva para o País. Por um lado, há um Governo que se tem revelado incapaz de criar condições de estabilidade com a maioria de direita saída das legislativas. Por outro, há uma maioria informal que junta o PS ao Chega e que está em permanente campanha eleitoral.
O Executivo está cada vez mais paralisado devido ao espetro do chumbo parlamentar de qualquer medida. O outro governo, o governo informal gerado no Parlamento, está cada vez mais ousado na aprovação de medidas, da descida dos impostos ao fim das portagens no Interior, aprovada ontem.
Para o cidadão, já se está a ver que a situação do Parlamento trará uma sucessão de boas notícias, porque tanto os socialistas como Ventura sabem que não serão chamados a fazer contas nem a gerir o Orçamento do Estado, visto que não governam.
O pecado original desta maioria foi a forma desastrosa como geriu o corte do IRS. Isso deitou abaixo, veremos se de forma irreversível, aquela espécie de escudo protetor criado pela vitória eleitoral, mesmo escassa. Agora, já toda a gente lhe cheirou a fraqueza. O resultado é esta esquizofrenia política com dois governos na República.
Estamos a caminhar, desgovernados, para um barril de pólvora orçamental, e parece claro que o pé está cada vez mais pesado no acelerador.
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Por Carlos Rodrigues.
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