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Carlos Rodrigues

Carlos Rodrigues

Diretor

"O Papa Leão XIV impõe-se como antítese ao pior do espírito destes tempos

10 de junho de 2026 às 00:31

Senti a anómala quantidade de reações ao Bilhete Postal de ontem como um pequeno farol de esperança. Percebi que basta falar da oposição entre redes sociais e democracia, e eis que se levanta o olhar dos mais atentos, e cresce uma brisa que percorre as nossas conversas. A cada mensagem, em cadência e intensidade raras, percebi que nem tudo está perdido. O jornalismo é a barragem contra o oceano da mentira e do confronto, modelo de negócio das redes sociais. O tema era esse. Modelo de negócio abrasivo, conflituoso, divisivo, que se opõe à democrática procura permanente de consensos. Uma escalada permanente e imparável que, sabemos agora, desemboca em poderes irracionais como o de Trump. Outro americano, o Papa, que se impõe como a antítese aos tempos modernos, reiterou nas cortes, durante a magnífica viagem por Espanha: não se deixem polarizar. Descodificando, fujam à tirania das redes sociais, que radicalizam as opiniões e nos afastam uns dos outros. Voltando ao início. O desafio lançado no Bilhete Postal não é fácil. Temos de conseguir explicar ao povo a vantagem do jornalismo profissional em relação às redes sociais. Estamos tão longe e tão perto disso. Retomo o tema por razão simples. Um enorme sábio da comunicação sintetizou-me bem cedo a ideia central, e logo alertei que iria ser citado. Aqui está: temos demasiada informação, mas pouco jornalismo. Valorizemos o jornalismo como barreira contra todo o género de tiranias. 

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