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Acácio Pereira

Comédia no OE 2018

Governo faz jogo das meias-verdades ao deixar de fora inspetores do SEF.

Acácio Pereira 20 de Novembro de 2017 às 00:30
Quem não pode cumprir, só tem uma solução: não promete o que sabe não poder executar, sob pena de mentir e perder a confiança (e o respeito) dos demais.

Neste momento político crucial para o país - a negociação do Orçamento do Estado para 2018 - estamos perante uma comédia. O Governo que tinha prometido descongelar carreiras, permitindo as justas evoluções previstas na lei, indispensáveis à valorização do mérito, está a fazer, afinal, um jogo de meias-verdades, não considerando num conjunto significativo de profissionais - entre os quais os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras - SEF - os anos em que as respetivas carreiras estiveram congeladas.

É um apagamento duplo. Apagam-se (quase) todos os servidores públicos que não são professores. E apaga-se do calendário o tempo decorrido nas carreiras não docentes, como se esse tempo não tivesse existido.

Tal como o Papa Gregório XIII apagou no século XVI dez dias do ano, criando o calendário "gregoriano", António Costa quer apagar sete anos de trabalho sério e empenhado. E, nesse passo, cria duas classes de funcionários públicos: os de 1ª e os de 2ª. Dividir, sem mais, para reinar.

É uma comédia, para não dizer pior.
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