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Alexandre Pais

Queixa chocante

Pais desesperados e um procurador ofendido: a falta que faz a grandeza.

Alexandre Pais 28 de Janeiro de 2017 às 00:30
O magistrado do MP que investigou as mortes na praia do Meco, onde seis jovens foram tragados pelo mar em dezembro de 2013, processou as famílias das vítimas por difamação. O procurador terá sido acusado de ter mentido no despacho e de querer beneficiar a universidade em que estudavam as vítimas, por ter um filho a frequentar o mesmo estabelecimento de ensino.

Parece a queixa um ato de chocante insensibilidade? Sem dúvida que sim, embora seja necessário impedir que a não menos chocante vaga de calúnias e ataques ao caráter, que alaga impunemente as redes sociais, invada a área da justiça e enxovalhe os seus agentes.

Mas o queixoso devia pensar também nas condições de extremo sofrimento em que famílias desesperadas, e aconselhadas sabe Deus como, procuraram desesperadamente explicações e culpados para as suas perdas – sem que houvesse explicações e culpados para lhes dar. E devia a seguir o senhor procurador interrogar-se sobre o que é mais relevante: a ofensa que lhe terão feito ou a marca gravada a fogo para o resto da vida nos corações daqueles pais?

Obtida a óbvia resposta, bastaria um pedido de desculpas e o arquivamento do processo. Claro que para isso teria de haver grandeza. De ambas as partes.
Meco crime lei e justiça justiça e direitos questões sociais
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