O ataque russo de ontem contra a Ucrânia, com o disparo de centenas de drones e mísseis, incluindo um hipersónico Oreshnik, terá sido o mais violento contra a capital ucraniana desde o início da guerra, mas não é isso que o torna tão relevante quanto perigoso. Pela primeira vez, a Rússia feriu de morte o coração de Kiev com explosões e muita destruição, a 300 metros do palácio presidencial, a duas centenas de metros do parlamento e a 100 metros do hotel na Maidan que alberga muitos jornalistas em serviço na capital ucraniana. Mais uma vez, Putin visou alvos civis, agora com um especial valor simbólico: destruiu museus, como o recém-inaugurado que preserva a memória de Chernobyl cujo acidente espoletou o fim do império soviético. E mostrou, também, a incapacidade ucraniana na defesa eficaz da sua capital.
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