A tap anunciou uma avalancha de voos diários entre Lisboa e Porto, a partir de março, ao preço das atuais viagens de comboio. Aparentemente, a companhia aérea cansou-se de ficar a ver navios. Já não era sem tempo, mas a medida pode ser bem mais perversa que um simples golpe para combater a concorrência. Convém recordar que, primeiro, a TAP perdeu clientes para a CP quando a empresa de comboios melhorou o serviço Alfa e reforçou as frequências ao ponto de estar a negociar o aluguer de composições em Espanha para satisfazer a procura dos clientes. Depois, foi a frenética Ryanair a ocupar o espaço que a TAP insistia em deixar aberto na ligação Lisboa/Porto (para já não falar no infame abandono dos voos entre a Invicta e Faro, que a low cost também colmatou).
Agora a TAP anuncia a transformação da Portugália em companhia expresso para, na prática, criar uma ponte aérea entre as duas principais cidades portuguesas. Desengane-se, porém, quem pensa que esta iniciativa se deve apenas à súbita descoberta da existência de um mercado generoso de gente a viajar entre Lisboa e o Porto. O anúncio da TAP é um gato escondido com o rabo de fora: Se a transportadora avançar com o cancelamento de muitas (há quem diga de todas) das ligações internacionais a partir do Porto, pode estar aqui a explicação para esta ponte aérea. É que o reforço do ‘hub’ na capital exige ligações ‘non stop’ ao Porto para servir os muitos clientes que a companhia tem no Norte e até na Galiza.
Será por isso interessante perceber se os preços relativamente baixos agora anunciados (um bilhete Lisboa/Porto na Ryanair custa metade do praticado pela TAP) se manterão assim num futuro próximo.
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