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Alfredo Leite

A mordaça da Turquia

Na velha Europa refém de novos interesses há quem não se importe.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 30 de Abril de 2016 às 00:30
A jornalista Ebru Umar ousou escrever, há dias, um artigo em que criticava o presidente turco sem ter em conta que quem se mete com Recep Erdogan leva. Sem surpresa, foi parar à cadeia. Teve sorte. No país recordista das violações da liberdade de imprensa, ir preso é o menor dos problemas. Como diria o cantor, muitos repórteres acabam "ainda mais deitados".

O Comité de Proteção dos Jornalistas estima que tenham sido mortos na Turquia 24 profissionais da comunicação desde 1992. No ano passado, mais de 20 foram presos e esta arrisca-se a ser uma imagem de marca da presidência Erdogan. Acontece que esta paranoia já nem fronteiras conhece. Na Alemanha, um humorista satirizou em verso o pénis de Erdogan e o governo turco pediu, de imediato, uma investigação a Jan Bohmermann por insultar um representante estrangeiro. Angela Merkel aceitou.

O país que é da NATO e que quer ser da União Europeia, mas que não reconhece o genocídio na Arménia e mantém um conflito com Chipre, quer agora exportar a sua perigosa relação com a imprensa. E, pelos vistos, na velha Europa refém de novos interesses há quem não se importe.
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