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Alfredo Leite

Guerra em paz

Na Venezuela já só há medicamentos para o cancro no mercado negro.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 21 de Maio de 2016 às 01:45
Contagiados pela proximidade temos estado muito focados na falta de comida que a grave crise na Venezuela tem causado. Justifica-se a nossa atenção. O assunto é sério e a maioria dos portugueses no país é feita de merceeiros e padeiros. Só que o colapso de Maduro é bem mais abrangente.

Esta semana, o ‘New York Times’ revelou-nos situações inimagináveis nos hospitais, onde há pessoas a morrer por falta de medicamentos e rutura de equipamentos. Fármacos para o cancro, por exemplo, quase já só se compram no mercado negro. Os recém-nascidos são os mais atingidos.

No país com as maiores reservas de petróleo do Mundo, a taxa de mortalidade de bebés com menos de um ano passou de 0,02% em 2012 para 2% nos meses mais recentes. O número de jovens mães que morrem no período pós-parto relativamente ao mesmo período de tempo é cinco vezes maior.

À falta de medicamentos junta-se a escassez de peças e, sem elas, não há raio X nem diálise. Falta oxigénio e em alguns casos até a água para lavar o sangue dos blocos operatórios. Na verdade, há muito pouco para todos e para os mais pobres não há mesmo nada. É um estado de guerra em tempo de uma paz que dificilmente resistirá muito mais tempo.
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