Quaisquer que tenham sido as circunstâncias da morte de João Rendeiro – e a sua advogada não acredita que tenha sido homicídio –, para a história fica o final trágico de um homem poderoso que acabou só. Dificilmente saberemos o que aconteceu naquela cela onde Rendeiro aguardava sozinho - e não na camarata sobrelotada onde estava detido - nova ida a tribunal. À Justiça sul-africana caberá agora esclarecer o contexto de uma morte que o seu sistema prisional não impediu. A Embaixada de Portugal já esclareceu que quer identificar o corpo de Rendeiro. É uma boa decisão. A nebulosidade que tem envolvido todo o caso do homem que geriu fortunas até ser investigado, condenado, capturado e morto exige prudência. Com a morte de Rendeiro cessam as responsabilidades criminais, mas não as civis. As indemnizações reclamadas pelo Estado português e pelos liquidatários do BPP deverão assim passar para os herdeiros do banqueiro, que pode ter deixado património a terceiros. Acontece que se estes renunciarem à herança poderá ser o Estado – sempre ele – a assumir património e calote. Ainda falaremos de Rendeiro para lá da morte.