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Alfredo Leite

Pirataria ao poder

Ser contra tudo pode render votos fátuos mas é mau para a democracia.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 29 de Outubro de 2016 às 00:30
Os 330 mil habitantes da Islândia arriscam-se a acordar amanhã num país governado por piratas. Não é caso para alarme porque não houve qualquer invasão hostil do território viking. Há apenas uma tendência eleitoral que dá ao Partido Pirata as preferências de voto nas eleições deste sábado.

Os islandeses vão às urnas para eleger o novo líder do governo depois da demissão do primeiro-ministro Gunnlaugsson, apanhado no efémero escândalo dos Papéis do Panamá. Num país que tolera pouco a corrupção, o eleitorado parece não querer repetir o filme que em 2008 levou ao colapso do sistema bancário. E é aí que entra o Pirata, um partido fundado por ativistas antissistema, hackers e poetas que, segundo a porta-voz, "não é de esquerda nem de direita".

É contra quase tudo e apresenta no seu programa propostas tão profundas quanto a aceitação do bit-coin como moeda, oferecer a nacionalidade islandesa a Edward Snowden e transformar Reiquiavique na ‘Suíça dos bit’.
Ser contra tudo pode render votos fátuos a emergentes forças políticas, mas é péssimo para a democracia. E não sendo caso para alarme, é um preocupante sinal dos tempos.
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