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Alfredo Leite

Silêncio de Temer

Protesto alastra ao Rio de janeiro e só assim presidente toma posição.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 11 de Fevereiro de 2017 às 00:31
Será justo reconhecer que, entre virtudes e defeitos, uma das características dos brasileiros é a capacidade quase inata de controlar a legalidade. Foi o que fizeram os polícias militares, que, impedidos de fazer greve pela Constituição, transferiram para as mulheres o direito à indignação, o que, na prática, impossibilita os militares de saírem das unidades. Ou seja, estão em greve sem estar.

Sem polícias na rua, nos últimos sete dias foram assassinadas mais de 120 pessoas, para além dos roubos e saques generalizados no estado do Espírito Santo. Só que o pior poderá estar para vir.

O protesto está a ter um efeito de contágio e acaba de chegar a 27 unidades do Rio de Janeiro, a cidade de mais de 16 milhões de pessoas onde a tensão entre polícia e traficantes altamente armados é permanente. Perante tudo isto, o presidente brasileiro prolonga o silêncio ao limite. Já foi assim com a crise dos presídios.

Michel Temer esteve agora seis dias sem falar e ao sétimo dia disse o óbvio: O motim no Espírito Santo "é ilegal". Ao não atalhar os protestos, Temer só coloca mais pressão na perigosa panela das tensões sociais no Brasil. Que já esteve mais longe de lhe rebentar nas mãos.
Espírito Santo Rio de Janeiro Michel Temer questões sociais política
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