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Alfredo Leite

Sinai, terra sem lei

Incapacidade para travar ataques contra civis fragiliza al-Sisi.

Alfredo Leite(alfredoleite@cmjornal.pt) 25 de Novembro de 2017 às 00:30
O Egito sofreu o mais sangrento atentado de que há memória no país e a ação teve de novo a assinatura de um grupo afiliado do Daesh que opera no Sinai.

A escolha da região encravada entre o norte do Egito, Israel e a Faixa de Gaza para a carnificina não foi um acaso. Desde que o exército egípcio destituiu o radical salafita Mohamed Morsi, da Irmandade Islâmica, que o grupo Wilayat Sinai, uma sucursal do Daesh, viu aqui o terreno perfeito para os seus crimes. Primeiro contra as polícias e, progressivamente, visando civis.

Perante a multiplicação do terror (o grupo abateu um avião da Metrojet russa matando os 224 ocupantes) o governo de Abdel al-Sisi tem-se mostrado impotente para neutralizar a bandidagem que floresce a duzentos quilómetros do Cairo. O abandono das ações militares contra os terroristas e a redução do investimento aprofundou a pobreza na zona deixando à mercê dos radicais a população sufista, seguidora de uma linha liberal e mística do islamismo.

A política de al-Sisi e a sua incapacidade para travar os sucessivos ataques contra civis está a revoltar liberais no Cairo e a fortalecer radicais por todo o país. E isso pode ser fatal para o contrapeso regional que (ainda) é o Egito.
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