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Almeida Henriques

O rei vai nu

É preciso reformar o Portugal 2020. Simplificar, acelerar e reprogramar.

Almeida Henriques 13 de Setembro de 2016 às 00:30
Os municípios tomaram ontem novamente a dianteira no debate sobre o futuro país. O tema? A aplicação mais que atrasada do euromilhões do Portugal 2020. São 25 mil milhões de fundos para empresas, regiões e autarquias que tardam em sair dos cofres e chegar ao "país real" desde há pelo menos ano e meio. Há mais de 30 anos que Portugal recebe fundos europeus e nunca se viu um atraso assim.

Vale a pena olhar os números e os factos. Segundo o último relatório público as verbas para empresas e municípios apresentam uma execução de 1%! Os pagamentos aos promotores de projetos de investimento, incluindo empresas, são hoje de apenas de 258 milhões de euros (num total de 25 mil milhões). E para os municípios, que são responsáveis por investimentos em áreas tão importantes como a reabilitação urbana, a rede escolar, a mobilidade, o património e a inclusão local, os pagamentos estão quase na estaca zero.

Esta situação de "seca" financeira não seria gritante nem dramática se o país vivesse um momento florescente de crescimento económico e atração de investimento externo, aumento do investimento público e sem carências sociais. A questão é que não vive. O investimento é praticamente nulo, tal como o crescimento económico.

O Governo pode acenar com um futuro de mais milhões para os territórios, mas o rei vai nu! Enquanto não se desarmadilhar o cofre e não se romper a camisa de forças em que estamos, não chegamos lá. O centralismo e a burocracia de Lisboa são um monstro desconfiado e dominador que empata e complica, com exigências administrativas absurdas, os investimentos e as oportunidades de desenvolvimento. Poderia dar aqui exemplos às dezenas.

É preciso reformar o Portugal 2020 antes que seja tarde de mais. Simplificar, acelerar e reprogramar prioridades são palavras de ordem. O país não pode esperar pelo fim de um cortejo suicida de vaidades e poderes.
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