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Almeida Henriques

Boas novas

Encharcados que estamos de novelas justiceiras que superam os limites da própria ficção, já quase não nos lembramos das ‘boas novas’ de 2014.

Almeida Henriques 23 de Dezembro de 2014 às 00:30

Por exemplo, que este foi o ano em que "mandámos a Troika embora". Foi porventura a melhor notícia de 2014. Fez respirar no País outro ar e repôs autoestima e confiança externa. Depois destes anos de crise e austeridade duríssimos, o "País Real" está carente, esperançado ou desesperado por "boas novas". Sem que isso signifique qualquer esquecimento das lições aprendidas, pelo contrário.

Já havia os "problemas estruturais" mas as agruras e a severidade do "memorando de entendimento" e do "programa de ajustamento" deixaram feridas por sarar. Não foram coisa simples que um povo valente despacha numa penada. Levou tempo, exigiu reformas e muitos sacrifícios, que nos qualificam no bem e no mal. 2014 pode bem ter sido um ponto de viragem, a tal "luz ao fundo do túnel" (que não a do comboio!), mas é preciso mais.

O desemprego persiste terrivelmente elevado e o crescimento económico tímido; a precariedade e desvalorização do trabalho são ameaçadoras (social e moralmente falando); as assimetrias territoriais gritantes cavam fossos de oportunidades e na coesão nacional; o Estado mantém-se centralizado, ineficiente e macrocéfalo (com as três dimensões relacionadas…), indiferente às PME e às "terras do Demo"; os fundos europeus do Portugal 2020 ainda não saíram dos cofres e reservam resposta a muitas interrogações. Além disto tudo, agrava-se a grave crise da natalidade, com um envelhecimento acelerado em modo de "prego a fundo". Daqui emerge um complexo antivitamínico que ameaça tanto a sustentabilidade do Estado Social, como o crescimento económico e a própria soberania nacional. A aprovação dos tão aguardados programas do "Portugal 2020" e a luz verde ao investimento na linha aérea Bragança-Vila Real-Viseu-Lisboa/Tires-Portimão, da passada semana, são sinais positivos no cair do pano de 2014. Oxalá cumpram a sua missão e sejam inspiradores em 2015!

Nota final: o Natal exprime uma dádiva benigna, solidária, sem preço e sem exclusões. É por isso que constitui uma ‘boa nova’. Boas Festas para todos!

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