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Almeida Henriques

Cidades Smart?

As cidades médias são ainda aquelas que jogam um papel redentor no reequilíbrio territorial do país.

Almeida Henriques 28 de Outubro de 2014 às 00:30

A espuma dos dias e as vaidades de corte escondem muitas vezes as coisas verdadeiramente importantes. Em Lisboa, a 'silly season' pré-eleitoral fabrica não apenas uma realidade artificial como atira para debaixo do tapete o 'país real' e aquilo que realmente importa. Há sempre tradições que resistem e continuam a ser o que eram...

Na passada sexta-feira, um encontro inédito em Vila Nova de Gaia trouxe a Portugal exemplos internacionais inspiradores do que hoje se designam de 'smart cities' - isso mesmo, cidades smart, cidades inteligentes.

Muito mais do que ambientes tecnológicos futuristas de filmes de ficção científica, o rótulo serve para sinalizar cidades comprometidas com políticas ativas de qualidade de vida, eficiência e inclusão. Ou seja, cidades energéticas e ambientalmente racionais, preparadas para lidar com as alterações climáticas, com sistemas de transporte, resíduos e iluminação sustentáveis, atrativas para pequenos investidores e criativos, amigas da natalidade, dos cidadãos e dos turistas nas suas necessidades especiais, abertas à inovação e à participação pública na sua gestão real... Este é um comboio que acelera na Europa e em todo o mundo e que Portugal não pode perder. As cidades são os ecossistemas do nosso modo de vida - social, económico e cultural. Sem estes ecossistemas, o propalado "crescimento económico e de emprego" é um puro devaneio fantasista.

Neste campo, as cidades médias são ainda aquelas que jogam um papel redentor no reequilíbrio territorial do nosso país (em plano inclinado há décadas!), assim como na defesa de uma real qualidade de vida e de uma relação proveitosa com os nossos valores rurais e naturais.

Também por isto, o não explicado atraso na operacionalização e arranque do Portugal 2020 é preocupante. A Europa está apostada nesta agenda revolucionária das 'cidades smart' e os países e regiões mais dinâmicos não pedem licença para investir e desenvolver experiências. Por cá, o tema continua por agora a ser assunto etéreo para especialistas... À espera de que em Lisboa desperte, a rede portuguesa de cidades inteligentes assumiu há dias este compromisso de tornar o desígnio compreensível e real. O tema merece.

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