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Almeida Henriques

E a Europa merecia

A Europa celebrou-se há dias. As instituições, e alguns governos, fizeram a festa oficial e as fotografias.

Almeida Henriques 12 de Maio de 2015 às 00:30

Com pouca chama e os discursos habituais. É pena. A Europa e a sua União são uma construção única no mundo e a sua inventividade histórica merecia bem mais do que a frieza dominante dos seus cidadãos.

A Europa e a União são uma construção baseada nos valores mais altos da civilização ocidental, a favor de uma paz duradoura, de um progresso económico solidário e do respeito pela diversidade cultural do Velho Continente.

As suas realizações são tudo menos pequenas: um continente sem fronteiras (uma conquista extraordinária!), uma moeda única, a solidariedade entre Estados, os mais elevados padrões de defesa ambiental, e até um programa ‘Erasmus’ que sedimentou fortemente em várias gerações de jovens a consciência de uma "cidadania europeia".

Na tradicional inclinação lusitana para a autopunição e o autoflagelo (e os tiros no pé), culpámo-nos em demasia dos "excessos" e dos "males" que cometemos com a utilização dos fundos europeus. Não admira que agora tenhamos negociações duras e difíceis em Bruxelas quando se trata de financiar infraestruturas vitais para o nosso desenvolvimento como é o sistema ferroviário. (Ainda há dias, um estudo de uma consultora internacional colocou Portugal no penúltimo lugar do ranking dos sistemas ferroviários de 25 países europeus, apenas à frente da… Bulgária! E a linha da Beira Alta continua há um ano por compor…)

A verdade, porém, é que os fundos europeus ajudaram a transformar radicalmente o País. Deram-nos um padrão de qualidade de vida inimaginável há 30 anos!

Precisamente ontem estive no Porto para falar sobre o papel dos fundos europeus do ‘Portugal 2020’ nos apoios à cultura.

Seria uma extraordinária homenagem à construção europeia se desemaranhássemos estes fundos do labirinto kafkiano de programas, figuras, regulamentos e siglas em que mais uma vez os encarceramos, com o beneplácito de Bruxelas.

Os fundos continuarão a ser um ‘feudo’ para especialistas e consultores. Os mais pequenos e os menos experientes devem preparar-se.

Às vezes, penso que é só falta de jeito. Outras, que é mesmo de propósito.

Prestaríamos um bom tributo à verdadeira Europa se mudássemos isto. 

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