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Almeida Henriques

Embaixadorias

Embaixadores de países relevantes, que estão radicados em Lisboa, vão ao 'País Real'.

Almeida Henriques 8 de Setembro de 2015 às 00:30
Há ideias tão simples, mas tão eficazes, que parecem óbvias. A sua virtude é de tal ordem que coloca a questão de saber por que razão nunca antes alguém se lembrou delas.

Essa inventividade simples, descomplicada, é um traço da portugalidade que a crise forçou a revelar. Quantos negócios – turísticos, agroalimentares, criativos, tecnológicos ou sociais – não foram criados com ideias muito simples, por força das circunstâncias? Todos conhecemos exemplos, alguns deles à porta de casa, nos amigos ou de família.

Vem esta reflexão a propósito de uma ideia muito simples de diplomacia económica, lançada pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Luís Campos Ferreira, de que na passada semana foi feito o balanço. Refiro-me ao programa ‘Embaixadorias’. E do que se trata? Em termos simples, de levar os embaixadores de países relevantes, que estão radicados em Lisboa, ao ‘País Real’. Por outras palavras, de "descentralizar" a diplomacia, colocando cidades e regiões de carne e osso na agenda de interesses e das interações destes agentes. Lisboa pode ser a capital, mas o resto não é só paisagem.

O ‘Embaixadorias’ não custa dinheiro, nem exigiu legislação ou uma "estrutura de missão", daquelas que se vão acumulando na capital. Simples e ágil, o programa põe frente a frente quem faz realmente o País – do Minho ao Algarve, das Beiras aos arquipélagos – e quem representa grandes mercados ou mercados com especial potencial para a produção nacional. Em apenas oito meses, o programa correu uma extensa lista de concelhos, onde estão Braga, Guimarães, Viseu, Fundão, Castelo Branco, Oliveira do Bairro, Santa Maria da Feira, Famalicão, Trofa, Amarante, Peso da Régua, Viana do Castelo, Ponte de Lima, Monção, Póvoa de Varzim e as regiões autónomas da Madeira e dos Açores, entre outras.

A lista pode ser extensa, mas o seu enunciado torna evidente a sua descentralização territorial. Nas missões, participaram embaixadores de mercados tão relevantes para a internacionalização das empresas nacionais como Alemanha, Angola, Brasil, Colômbia, China, México, França, Espanha e Moçambique.

Em muitos casos, não ficaram apenas sementes. Há também rebentos e frutos. Se há ideias simples, esta foi um "ovo de Colombo".
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