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Almeida Henriques

Esse ano trágico

As ‘cativações’ do Super-Mário não são prática aceitável num estado moderno.

Almeida Henriques 26 de Dezembro de 2017 às 00:30
Na sua despedida, o ano de 2017 até pode simular um sabor agridoce. Mas a todas as suas boas notícias haverá de sobrepor-se a marca da tragédia. Uma tragédia feita de uma destruição inimaginável e irreparável. Uma tragédia que pôs a nu a falência do modelo centralista imprevidente de proteção dos cidadãos garantido pelo Estado. Antes e depois pôde ter havido conquistas, mas no balanço do ano tudo fica soterrado nos escombros humanos dessa imensa catástrofe.

No cair do pano, deixo aqui a minha leitura.

A negro. Os incêndios deste ano saldam-se em 116 mortos confirmados e na destruição de 500 mil hectares de floresta e território rural. A tinta negra na paisagem física e moral do País é também um sonoro atestado de incompetência passado ao centralismo público e ao seu irresponsável sistema de proteção dos cidadãos.

No vermelho. 2017 foi o ano mais ‘seco’ do país desde 1931. Os mínimos históricos de chuva deixam 97% do país em seca severa e a braços com dramas nunca antes vistos no abastecimento de água. Deixam também um alerta vermelho para que ao credo na boca se sucedam medidas estruturantes no armazenamento e utilização eficiente do ‘petróleo do século XXI’.

No amarelo. Os fundos comunitários continuam a marcar passo, agravando a quebra histórica do investimento público. No 4º ano da sua implementação, registam um ‘score’ de 17%. Está bem de ver que vão tocar as campainhas em Bruxelas com ameaças de cortes. Depois, valerá tudo - o bom e o mau.

No verde. Portugal saiu do Procedimento por Défice Excessivo, libertando-se do jugo de oito anos de vigilância europeia. O facto faz justiça a dois Governos: o atual e o precedente. Mas nem tudo vai bem no Reino da Dinamarca. O crescimento faz-se mais à custa do turismo do que das exportações e as ‘cativações’ do Super-Mário não são prática aceitável num Estado justo e moderno.
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