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Almeida Henriques

Felizmente

Os municípios têm sido privados de apoios para fixar ou expandir empresas.

Almeida Henriques 8 de Novembro de 2016 às 00:30
Enlevado pelo Web Summit (evento captado para Lisboa ainda não havia Geringonça), o Primeiro-Ministro anunciou ontem um pacote mirífico de milhões para fomentar ‘start-ups’. Quando faltam políticas e reformas, há sempre o velho truque de atirar milhões para cima da realidade — ou do problema. Pode não saber-se muito sobre o ‘como’ e sobre o ‘quando’ desses messiânicos milhões, mas o efeito é normalmente alcançado: criar "a ideia que"... Ora, fazia bem melhor o Governo se fosse diligente e mais lesto a fazer chegar à economia e ao ‘país real’ os milhares de milhões de fundos comunitários que tem guardados no cofre e que, de tão armadilhados, tardam em ser aplicados.

Os municípios, que são um dos principais agentes de atração de investimentos, têm sido privados de quaisquer recursos e apoios para criar condições de fixação ou expansão de empresas. O que têm feito, têm feito em grande medida sozinhos.

Enquanto o Governo anuncia medidas para um futuro que há de chegar, hoje é inaugurado em Viseu, pelo Presidente da República, um importante investimento: a gigante tecnológica IBM abrirá, na cidade de Viriato, o seu novo centro de inovação, numa parceria com o Município e o Instituto Politécnico de Viseu. 40 jovens estão já contratados e em formação, mas o centro deverá empregar 120 quadros em áreas intensivas de conhecimento e tecnologia.

Resultado de uma cooperação pragmática em que nem Governo nem Estado Central puseram a mão, nasce no Interior um centro de inovação de referência, vocacionado, entre outras áreas, para soluções tecnológicas no domínio das cidades inteligentes. Com esta unidade, o país ganha em competitividade e emprego, e Viseu conquista um selo poderoso e uma marca no mapa económico e científico.
Enquanto esperamos que os anúncios de milhões se convertam em algo palpável, há (felizmente) um país que trabalha e faz acontecer.
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