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Almeida Henriques

Navegar à bolina

No Olimpo político, a imagem prevalece sobre a realidade; a encenação domina sobre a ação.

Almeida Henriques 28 de Novembro de 2017 às 00:30
A "Geringonça" fez dois anos. O aniversário foi celebrado com um espetáculo de variedades em Aveiro (tão descentralizador!) e meia centena de cidadãos-atores a reproduzir para a televisão perguntas devidamente "selecionadas" em "estudos de opinião" contratados pelo próprio… Governo. Bravo, bravíssimo!

No Olimpo político, a imagem prevalece sobre a realidade; a encenação domina sobre a ação; a mediatização ilude a proximidade. É pena. Muita pena. Mais do que nunca — depois dos fogos que nos assolaram e com a seca que nos rouba o sono — as "Terras do Demo" precisavam de uma política reformista e autêntica.

O Primeiro-Ministro, é notório, perdeu o sentido racional e tático que o definia — e não digo "estratégico", porque isso é uma coisa diferente. Os sintomas da alienação e do deixa-andar estão à vista. A "Gerigonça" está em desnorte e confirma definitivamente a sua inviabilidade.

Com a cabeça perdida algures entre Pedrogão e Tancos, ou o Pinhal de Leiria e Viseu, o Governo perdeu também o coração do País. Quer dizer, o capital de confiança e simpatia. Pouco ou nada sobra.

Além do discurso gasto das "regressões", compensadas por um fino aumento de impostos e por um "crescimento" tímido de reformas que já lá vão.

De resto, estes dois anos são marcados por muito e por muito pouco. No muito, destaca-se o desconchavo estrutural da proteção dos cidadãos, evidente nas tragédias dos incêndios ou no descontrolo da Legionella. No pouco, a ausência de reformas e de investimentos estruturais para o futuro.

Em Viseu, somos testemunhas desta política do parecer em vez do ser. Na promessa falhada da ferrovia Aveiro – Salamanca, no silêncio sobre as soluções estruturais para o drama da seca, na incógnita do centro de radioterapia ou no abandono dos compromissos para o "novo" IP3 ou para a requalificação do N229.

Navegar à bolina e à vista será remedeio até quando?
Almeida Henriques opinião
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