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Almeida Henriques

Um país novo?

O novoPresidente deverá ser (e tem tudo para o ser) um verdadeiro fator de coesão nacional.

Almeida Henriques 26 de Janeiro de 2016 às 00:30
Como se esperava, Marcelo ganhou. À primeira volta e de forma categórica: com 52% e quase 2,5 milhões de votos. É a vitória do carisma e dos afetos. Sem dívidas ou amarras de qualquer espécie.

No seu discurso de vitória, exprimiu o desígnio de "refazer Portugal".Excelente quanto árdua missão! Que deve começar por aqueles que ficaram em casa este domingo – que já não acreditam. A sua vitória, transversal na sociedade portuguesa e a todo o espectro político-partidário, é o melhor trunfo para esse caminho. E é também essa a primeira e mais importante conclusão eleitoral: os portugueses dispensam filiações e lealdades partidárias e pedem unidade por vez de divisão, pacificação em vez de conflito, pontes em vez de muros. O novo Presidente deverá ser (e tem tudo para ser) um verdadeiro fator de coesão nacional.

Como quase sempre, o "país real" exprimiu-se de forma simples e eficiente: demonstrou inteligência (poupando-nos a um penoso e inútil prolongamento eleitoral), ponderação (reequilibrando a distribuição de poder) e significado (com mensagens em várias frentes). Por muito silenciosa que seja, uma eleição nunca é um ato coletivo mudo. E por muito que alguns partidos não queiram ouvir, há em cada eleição uma inteligência e uma sensatez do povo que falam no somatório das vontades particulares.

António Costa pode disfarçar habilmente, mas o PS teve nesta eleição uma derrota estrondosa e um forte sinal de aviso: as tradicionais bases eleitorais não são fiéis ou já não existem a todo o custo (que o diga, mesmo contrafeito, o PCP, que teve o pior resultado de sempre!). O "centro político" existe e quer ser respeitado. E conduz-se mais por pessoas e necessidades do que por siglas. A governação não pode ser facciosa, nem os equilíbrios exclusivistas.
Com Marcelo Rebelo de Sousa, a política recupera o coração e o País readquire o "centro".
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