Almeida Henriques
Presidente da Câmara Municipal de ViseuEsperança
25 de fevereiro de 2014 às 01:00À medida que a intervenção da Troika em Portugal se aproxima do fim (ou, pelo menos, um certo tipo de intervenção) e se aquecem as baterias de um intenso e decisivo calendário eleitoral, cresce na opinião pública o debate sobre o país que hoje somos e que hoje temos.
Foi também essa a questão central que Pedro Passos Coelho levou, com lucidez, ao Congresso do PSD do último fim de semana. "Estamos hoje melhor ou pior?" Dependendo do ponto de vista de quem aborde a pergunta, obteremos respostas diferentes, mas Portugal está hoje, inequivocamente, em melhor posição para ver uma luz ao fundo do escuro túnel da crise do que no tenebroso ano de 2011. Fruto da "missão histórica" da governação perseverante (ou, mesmo, obstinada) de Passos Coelho? Com certeza que sim, tanto quanto da resiliência e do contributo dos portugueses, da classe média e das nossas PME. Há quem diga que estamos mais pobres. Eu diria que estamos sobretudo mais conscientes. E mais vivos e menos dependentes. Ser rico por "alavancagem" é um presente a prazo e envenenado.
Os sinais de retoma económica, o bom desempenho das exportações, o ajustamento do défice público, a recuperação da credibilidade do país nos "mercados" (termo maldito no léxico nacional) e a estabilização do desemprego fazem recuar algum pessimismo e começar a repor os níveis de confiança no estado de espírito nacional. No horizonte há ainda nuvens negras, mas estão menos fechadas. E o "homem do fraque" da Troika poderá não ficar instalado já na sala de estar, mas estará seguramente vigilante à porta.
Mensagens de esperança e de otimismo são absolutamente necessárias, com os pés assentes na terra e sem o veneno da irresponsabilidade e da demagogia. O debate das "Europeias", que terá em Paulo Rangel e Francisco Assis os seus protagonistas, é também um teste à maturidade da nossa democracia, que este ano celebra 40 anos.
Precisamos de caminhos e consensos em Portugal (E na Europa) para reformar e salvar o Estado Social, procurar a melhoria das condições concretas das pessoas e garantir a coesão territorial do país. A pobreza e a desigualdade não são, nunca foram, a essência de nenhuma ideologia, a começar pela social-democrata.
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