No debate de terça-feira, um dia depois de a chuva ter geminado Lisboa com Veneza enquanto o seu autarca, reeleito há um ano, com maioria absoluta, fazia campanha, do Choupal até à Lapa, em Coimbra, António Costa lançou uma nova narrativa. Respondendo a ataques de António José Seguro, que à falta de diferenças políticas inventa eufemismos para oportunista, disse aos portugueses que, ao contrário do que o secretário-geral do PS repete, será agora que a oposição a Passos Coelho e Portas se torna mais difícil. Argumenta Costa que o Governo aliviará a corda no pescoço dos contribuintes nestes meses que faltam até às legislativas de 2015, o que não deixa de ser uma narrativa verosímil, tendo em conta o que já se fala acerca de mexidas na sobretaxa. Quem acreditar na narrativa, ou melhor dizendo, na contranarrativa, destinada a dissolver a etiqueta de usurpador que o secretário-geral se esforça em lhe colar na testa, verá no presidente da Câmara de Lisboa praticamente um mártir da democracia. É possível que resulte neste domingo, mas duvida-se de que este Governo tenha liberdade para uma ‘última volta’ eleitoralista, ao nível daquela que Sócrates fez no primeiro mandato, como Costa decerto se lembra.
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