Catarina Martins

Eurodeputada do Bloco de Esquerda

Caças não apagam fogos

02 de agosto de 2026 às 00:30
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Este ano já arderam na UE mais de 400 mil hectares. Entre França e Espanha retiraram-se 300 mil pessoas. Em Portugal arderam 30 mil hectares, metade num único incêndio em julho. Estes fogos sucedem-se ao inverno mais severo de que há registo no nosso país e que causou 22 mortos e estragos ainda visíveis. As alterações climáticas são uma ameaça real e as escolhas têm consequências. Desde 1980, a Europa aquece duas vezes mais rápido que a média global. Invocar um “pragmatismo” climático que abdica da transição necessária em nome da competitividade ou da defesa é a irresponsabilidade mais absoluta no continente mais exposto. As ondas de calor já causaram mais de 10 mil mortos na UE.

Negar a ciência é criminoso. Tenho-me dedicado, no Parlamento Europeu, ao Mecanismo Europeu de Proteção Civil. Exigimos um sistema preparado para crises sucessivas. O problema é a falta de orçamento. A UE só tem 10 mil milhões para a Proteção Civil no próximo quadro financeiro plurianual, mas comprometeu 125 vezes mais em compras aos EUA. Os apoiantes europeus de Trump têm de responder por este assalto. A Europa não pode ficar a arder. 

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