Roberta Metsola, Presidente do Parlamento Europeu

Presidente do Parlamento Europeu

Defende-a, dá forma, sê Europa

09 de maio de 2024 às 00:30
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Estamos hoje a um mês das eleições europeias, o maior exercício democrático multinacional do Mundo. Um momento de escolhas, de direção e de responsabilidade.

Nos últimos meses, contudo, tornou-se cada vez mais evidente que há quem não queira que sejamos bem-sucedidos.

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Não há uma semana que passe sem que desinformação e propaganda provenientes de forças mal-intencionadas, potências estrangeiras, websites e contas nas redes sociais sejam reveladas.

Estas tentativas de abalar a nossa democracia e a nossa forma de agir na Europa, pautada pela transparência, pelo respeito e pela liberdade de expressão, são extremamente graves e preocupantes. Não há dúvida de que a nossa resposta coletiva deve estar à altura.

Estamos cientes de que existem pessoas para quem a mera existência do Parlamento Europeu - da União Europeia - constitui uma ameaça. Pessoas que veem na autocracia uma resposta. Pessoas que tudo farão para corroer os nossos processos democráticos e inundar os nossos canais com propaganda, ou mesmo manipulação. Pessoas que semeiam a dúvida, inclusive nos nossos processos democráticos e em torno dos resultados eleitorais.

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É por tudo isto que nunca é demais frisar a importância destas eleições. Num ano em que um quarto da população mundial é chamado às urnas, e em que há mais pessoas a viver em países não democráticos do que em democracia, temos a responsabilidade coletiva de defender o nosso modo de vida, de lutar contra forças que tentam desestabilizar-nos e de ter uma atitude crítica em relação a tudo o que vemos e lemos, sobretudo online.

E é fazendo-nos ouvir, primando pela honestidade, que o conseguiremos. Estas eleições são cruciais, porque o seu resultado determinará o rumo da Europa nos próximos cinco anos. Os deputados eleitos para o Parlamento Europeu vão representar os cidadãos de todos os Estados-membros da União Europeia, e aprovar leis e políticas nos domínios da migração, da segurança e do clima que nos afetarão a todos diariamente. Esta é a democracia em ação, e a melhor forma de a preservar é usando o voto.

A democracia não é um dado adquirido. As gerações que nos precederam tiveram de lutar para a conseguir. No início deste mês, assinalámos o vigésimo aniversário do alargamento de 2004 e celebrámos a liberdade que trouxe a milhões de pessoas naqueles 10 Estados-membros. Isto porque, em muitas zonas da Europa, há ainda quem se lembre do que era viver em sociedades totalitárias, sem direito de voto.

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O dia 9 de maio, Dia da Europa, é um dia em que recuamos no tempo, até 1950, e no qual encontramos inspiração na ideia de construção de uma comunidade europeia de liberdade e direitos. Uma Europa onde a guerra seja impensável e impossível. Uma Europa que nos permita sonhar e criar oportunidades com base nos valores fundamentais da liberdade, do Estado de direito e da democracia.

No Dia da Europa, um mês antes das eleições para o Parlamento Europeu, dirijo um apelo aos mais de 350 milhões de europeus que têm direito de voto para que assumam as suas responsabilidades e participem num dos maiores exercícios democráticos do Mundo.

Não considerem a Europa como um dado adquirido. É preciso defendê-la. Dar-lhe forma. Sê-la. É preciso votar.

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