Joana Amaral Dias

Professora universitária

Dentes de leite

15 de outubro de 2017 às 00:30
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Considerado um dos filmes de 2017, famoso pelos desmaios que provoca entre espectadores e discretamente exibido no IndieLisboa, ‘Grave’ está agora nas boxes domésticas e vale a pena. Não, não se trata de apenas mais um filme sobre vampiros a engrossar o caudal da moda deste género no século XXI.

Realmente a longa-metragem de Julia Ducournau versa sobre jovens dráculas-canibais mas isso é apenas um (bom) pretexto para revelar como é violenta a passagem à idade adulta, onde outros ritos como as praxes académicas e outras transformações como a mudança hormonal ou física, a perda da virgindade, a autonomização do aparelho de pensar paternal e a descoberta da sexualidade e animalidade estão longe, a léguas e léguas, de serem pacíficas. Morder. Comer.

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Os vampiros juntam sexo e morte como poucos, condensam eros e thanatos num só gesto, num movimento que vale toda a adolescência e a sua truculenta descoberta desses dois polos. Sim, pode dizer-se que é extremamente grave.

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