Beyoncé já não é uma cantora da música popular. É uma empresária do r'n'b, uma criadora de acontecimentos, uma indústria cujo produto é ela própria.
É limonada pura: água, aroma de limão e açúcar. Consome-se como um refrigerante. ‘Lemonade’, o seu disco (e, mais ou menos, filme) é um acontecimento social e mediático. Às vezes até nos esquecemos de que há um disco ali. E de que existem canções (algumas boas, diga-se de passagem).
O lançamento desta nova proposta de Beyoncé, que poderia passar por ser um "álbum visual", ocupou o universo das redes sociais. E é isso que ela desejava. Este é o mundo de Beyoncé e nele a cantar quase ficamos com a noção de que os velhos álbuns regressaram: temos de o escutar como um todo e não como um simples conjunto de canções.
É um disco denso do qual não podem ser compradas duas ou três canções (como agora acontece neste universo fragmentado onde vive a música digital). Porque tem uma lógica. Deve ser escutado do princípio ao fim.
A sua fórmula de promoção segue os ensinamentos de Prince nos últimos anos: só chega às lojas de discos depois de estar na Internet com forte apoio mediático.
Há depois o outro lado da questão: ‘Lemonade’ foi promovido como o disco onde Beyoncé fala da sua vida e do seu amor por Jay-Z, mas também da infidelidade.
Mas, claro, Beyoncé cria uma ficção: nada em ‘Lemonade’ pode ter a ver com a realidade. Numa cultura obcecada pela celebridade, Beyoncé é uma diva que fala do amor como se fosse uma rosa com espinhos. O que, na realidade, sempre foi e será. Como ela própria o sabe.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt