Almeida Henriques

Presidente da Câmara Municipal de Viseu

Manta de retalhos

13 de outubro de 2015 às 00:30
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Se, por um azar, um marciano aterrasse hoje no país político, teria duas perceções perfeitamente absurdas: que os derrotados das eleições de 4 de outubro são afinal os seus vencedores; que a chamada "Esquerda" é uma irmandade una e coerente, e não aquele albergue espanhol onde cabem tantas contradições ideológicas.

O país que tem memória assiste incrédulo ao teatro da política nacional. Não perturba tanto o facto de se ter encenado uma cambalhota no pódio eleitoral. É mais a ideia peregrina de que, à Esquerda, há afinal um arco da governação viável entre europeístas e antieuropeístas; devotos do Euro e saudosistas do Escudo; crentes e descrentes no Tratado Orçamental e no controlo sobre os défices excessivos; partidários da renegociação da dívida soberana e do seu contrário; já para não falar da súbita convergência entre adeptos e adversários da participação de Portugal na NATO. A mim, tudo isto parece (pedindo de empréstimo a imagem a Maria Gabriela Llansol) "o encontro inesperado do diverso". Na poesia é um sonho, mas na realidade será um pesadelo. A vida prática trata de fazer ruir, na alvorada, todas as ilusões.

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Que nos digam que "a Europa" pode ficar à margem de um acordo de governo, para o centrar em matérias como o "emprego" e o "rendimento das famílias" (como se houvesse política económica fora da política orçamental!), só pode ser uma brincadeira irresponsável. Desde a viragem histórica do "25 de Novembro", PSD e PS partilham o terreno da social-democracia, de inspiração reformista e vocação europeia.

Muito mais para o bem do que para o mal, o que aproxima PSD e PS é muito mais do que une esta "Esquerda", de forma provisória e tática.

Os retalhos da manta à Esquerda serão muito mais complicados e dolorosos de juntar.

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Felizmente, a semana política também nos trouxe notícias auspiciosas. Falo da candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. O "professor" não é apenas a mais popular figura política portuguesa. É também um português de genuínos afetos e uma mente lúcida e esclarecida.

Com memória e sentido de Estado, mas com a humanidade e a empatia sinceras que os portugueses procuram. A sua eleição será um fator de unidade do País e de construção das pontes positivas de que o nosso futuro precisa.

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