Leonardo Ralha

Jornalista

No entanto, move-se

17 de novembro de 2017 às 00:30
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Reza a lenda que Galileu terá murmurado "eppur si muove" após ser obrigado a renunciar - convencido pelos argumentos da Santa Inquisição no que diz respeito à pena da morte - à crença de que a Terra girava à volta do sol.

Pouco importa que o tal "no entanto, move-se" seja improvável, pois acarretaria decerto piores consequências do que a prisão domiciliária em que o matemático e astrónomo passou os anos de vida que lhe sobraram.

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Já indesmentível é o "no entanto, move-se" em curso no Zimbabwe e em Angola. Aquilo que aconteceu esta semana nesses países africanos, com um golpe militar a deixar o nonagenário ditador Robert Mugabe confinado à sua casa em Harare, e a ofensiva de João Lourenço, novo presidente angolano, contra os vastos interesses dos filhos do antecessor José Eduardo dos Santos, mostra que algo se moveu quando era natural estar parado.

Sendo cedo para dizer que Angola e Zimbabwe vão assistir a mudanças positivas no futuro próximo, o aperto de mão do líder dos revoltosos a Mugabe e os vídeos partilhados por Isabel dos Santos no Instagram ao ser afastada da Sonangol permitem esperar tudo.

Algo que já é muito mais do que sucedia até agora.

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