Com a morte do já centenário Edgar Morin, filósofo e sociólogo que marcou a vida intelectual do século XX, perdemos um dos mais brilhantes e inovadores pensadores da modernidade, com uma vasta obra também publicada em Portugal.
Morin começou por ser comunista, ligando-se à resistência contra o ocupante nazi. Depois abandonou o Partido Comunista e tornou-se um académico brilhante, defendendo a epistemologia humana como segmento essencial do seu pensamento filosófico.
Tive oportunidade, há uns anos, de assistir, na sede da UNESCO em Paris, à homenagem que aquela instituição lhe prestou, com um elogio político e filosófico a cargo de Jack Lang. O filósofo esteve mais de uma hora em pé, falando de improviso e dizendo coisas que se tornaram inesquecíveis.
Todos sabíamos que estava vivo, mas ninguém sabia até quando. Partiu agora, deixando-nos o desafio de sabermos ser livres, sempre com um pensamento próprio e sem medo do futuro. Era uma voz brilhantemente insubmissa que recordamos com muita admiração e saudade.
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