André Ventura
Líder do Chega e candidato à Presidência da RepúblicaO mistério da Baleia Azul
08 de maio de 2017 às 00:30O jogo da Baleia Azul tem sido o tema do momento e com razão: afinal, poucos são os fatores capazes de unir deprimidos, suicidas, fanáticos e criminosos numa mesma plataforma. Ora, é isso mesmo que este misterioso jogo permite: dar aos suicidas uma razão para morrer, aos deprimidos uma razão para sofrer e aos criminosos mais uma oportunidade de lançar as garras de domínio e poder sobre os mais frágeis.
Só por isso, este desafio – que se iniciou na Rússia e se alastrou a todos os cantos do mundo rapidamente – merece especial atenção das autoridades. Trata-se de um evidente e notório atentado à dignidade da pessoa humana e um incentivo sem reservas ao suicídio, visto ser a morte espetacular do jogador o último patamar deste designado jogo.
A forma como se aproveita dos mais frágeis da sociedade e os explora miseravelmente merece uma resposta firme das autoridades policiais e judiciais, que têm o dever de aplicar rapidamente sanções severas aos criadores e divulgadores do jogo, bem como aos autointitulados mentores, que ameaçam e coagem os jogadores a não desistir, por mais bizarro que seja o desafio. É, por isso, muito positivo que a PGR tenha já anunciado a criação de uma equipa especializada de investigação.
Nem é tanto na rápida proliferação do jogo e na adesão por parte dos adolescentes da nossa sociedade que está o mistério da Baleia Azul. É na finalidade última do próprio jogo e nos ‘benefícios’ que permite aos seus ‘coordenadores’ obter.
Quem está a lucrar com este jogo de morte? Quem pode beneficiar com estas salas de chat onde se estabelecem metas sinistras e cada vez mais perigosas? Que vantagens – de caráter financeiro? Moral? Sexual? – obtêm os mentores deste desafio psicótico? É isto que é preciso identificar, para que a morte ou a mutilação de crianças, adolescentes ou simplesmente indivíduos perturbados não se torne num objeto de comercialização ou diversão cibernética.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt