Quando em 2024 começou a apresentar o programa ‘Língua Mãe’, na CMTV, Luís Represas tornou-se um dos ‘nossos’. Lembro-me do dia em que chegou à redação, pouco depois de aceitar o desafio colocado por José Jorge Letria, presidente da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), parceira do projeto, para o nosso primeiro encontro de trabalho. Apesar de surpreendido com o convite, vinha como veio sempre nos dias que se seguiram: entusiasmado, determinado, pronto a dar o seu melhor. Queria engrandecer o ‘Língua Mãe’. Passou a tratar-me por ‘colega’, eu chamava-lhe ‘camarada’. Com o tempo, tornou-se um ‘dos meus’.
Preparava as conversas com os convidados do ‘Língua Mãe’ de forma exímia. E depois tinha o outro lado, que não descurava mesmo a trabalhar. Adorava falar sobre os filhos, dos gatos e da cadela, com a qual partilhava os passeios praticamente diários pela serra de Sintra. Fizesse chuva ou sol, lá ia, de Colares ao miradouro da praia das Maçãs, com a sua companheira canina no encalço. Era com o olhar pousado no azul do mar que aproveitava para pôr telefonemas, mensagens em dia e preparar as nossas entrevistas. Ligava-me desse lugar de paz, invariavelmente, para combinarmos as perguntas e o ângulo de cada entrevista. Não gostava de questões fáceis nem banais - muito à semelhança da forma como fazia música e da seriedade com que subia ao palco. Decidido o rumo, ficávamos a falar da vida, como acontece quando estamos entre os ‘nossos’. Desculpa-me por nunca ter cumprido a promessa de lá ir ter contigo, juntar “o útil ao azul”. Até sempre, Camarada.
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