As chuvas da terceira semana de outubro, conjugadas com temperaturas relativamente elevadas para a época, criam condições extraordinárias para que, nas nossas florestas, de Trás-os-Montes ao Algarve, passando por Sintra, ocorra uma explosão de cogumelos silvestres de todas as variedades, cores, feitios e sabores.
Para os maluquinhos por estes fungos, é tempo de festa. Costumo dizer a um fornecedor de tomate biológico que só não fico mais triste pelo fim da época do tomate (que, dependendo do tempo, pode prolongar-se com esforço até final de outubro) porque ela pega com o aparecimento dos primeiros cogumelos silvestres.
É que a riqueza nacional é tanta que, com alguma imaginação, podemos fazer várias dezenas de pratos com cogumelos. Frescos são uma categoria. Mas, desidratados, congelados ou reduzidos a pó, dão para o ano inteiro. E até são amigos da preguiça.
Um tipo chega a casa e não está para grandes elaborações ao fogão, pois é só hidratar cogumelos secos em água quente, retirá-los, usar essa água para cozer uma massa, salteá-la rapidamente com azeite virgem extra e um dente de alho, acrescentar depois tomate seco, umas lascas de malagueta e outras coisas a gosto e, então sim, envolver com os cogumelos. Com um copo de vinho tinto mais ligeiro, começamos logo a falar italiano.
Agora, nunca é demais repetir que só devemos comprar cogumelos silvestres a gente conhecedora, de preferência a empresas certificadas. A aventura de ir para a floresta armado em druida tem risco elevado. E pode ser matéria noticiosa. Convenhamos que não é lá muito inteligente arriscar por causa de um prazer e acabar nas páginas dos jornais.
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