Ana Isabel Fonseca

Jornalista

Quem perde primeiro

12 de agosto de 2026 às 00:30
Partilhar

Há mais de uma semana que cerca de 60 trabalhadores fazem uma vigília em Vila Nova de Gaia, junto à fábrica de calçado onde durante anos trabalharam. Sem salários, sem subsídios. Este não é um caso único e, provavelmente, muitos de nós lidamos bem de perto com situações semelhantes. Familiares ou amigos que, de um dia para o outro, viram a sua empresa encerrar, sem respostas e sem aquilo a que tinham direito. São casos em que vemos também, demasiadas vezes, o mesmo padrão. Empresários que conseguem contornar as leis, que abrem empresa atrás de empresa e que, pelo caminho, destroem famílias. 

A falta de proteção dos trabalhadores continua a ser evidente. Em Avintes, os funcionários viram-se obrigados a vigiar a fábrica dia e noite para impedir que bens e material desapareçam. Aguardam, desesperados, pela nomeação de um administrador de insolvência. Situações como esta repetem-se e deviam envergonhar-nos. Quem trabalhou, quem ajudou a construir uma empresa, não pode ser abandonado quando chegam as dificuldades. Há contas para pagar, famílias para sustentar e vidas que não podem ficar suspensas. Quem trabalha não pode ser sempre o primeiro a perder e o último a ser protegido. 

Pub

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar