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André Ventura

A feira de Natal esquecida

As mortes inocentes daqueles que festejavam a magia do Natal continuarão esquecidas pela burocracia europeia.

André Ventura 26 de Dezembro de 2016 às 01:01
As centenas de pessoas que percorriam as artérias da feira de Natal de Berlim não esquecerão o drama que se abateu sobre as suas vidas numa noite fria de dezembro. Mas a Europa passará rapidamente o ocorrido para trás das costas, após habituais eventos espetaculares de homenagem às vítimas e pesadas negociações burocráticas em Bruxelas.

Serão feitos lamentos sobre a perversidade deste novo fenómeno terrorista e assinados novos memorandos de entendimento que constarão nas atas do Conselho Europeu e do G8. Nada mais do que isso. De resto, continuaremos a ter indivíduos alegadamente ‘vigiados’ pelas polícias e pelos serviços secretos uma vez que, devido à ausência de passaporte ou documentação de identificação, não podem ser deportados para parte nenhuma. Continuaremos a ter comprovados terroristas a pedir – e a obter – asilo político em diversos Estados da União. Continuaremos a libertar terroristas ao fim de dez anos de cadeia. E, em casos mais caricatos, continuaremos até a financiá-los através de prestações sociais.

Nada de novo nesta velha Europa. O meu amigo e colunista do CM João Pereira Coutinho chamou-lhe Europa imbecil. E é. Sob a inacreditável apatia que nos tomou de assalto, continuarão a repetir-se os ‘incidentes’ de Paris, Nice, Berlim, Madrid e por aí fora. Nós continuaremos a achar que a culpa é de Bashar al-Assad, dos russos ou do novo presidente americano. Nunca nossa. Nunca da morte lenta e angustiante das políticas de segurança e de defesa europeias. Os refugiados que fogem da guerra na Síria e no Iraque. Os asilados que escapam às perseguições em Marrocos ou na Tunísia. As famílias depauperadas que voltam costas à instabilidade afegã. Tudo nós compreendemos e estudamos afincadamente. E, misteriosamente, continuamos a esquecer estas centenas de vítimas inocentes europeias que clamam por justiça. Por uma reação que dignifique as suas mortes. Pelo direito a feiras de Natal sem medo da barbárie.
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