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André Ventura

A Justiça e os privilegiados

Uma mão-cheia de políticos chega a Lisboa com magros rendimentos e abandona o poder com verdadeiras mansões.

André Ventura 21 de Setembro de 2015 às 00:30
Ouvir os nossos políticos sobre justiça e investigação criminal poderia ser um exercício quase divertido, se não revelasse a tragédia própria de um país de privilégios e compadrios enraizados.

Segundo João Soares em caso algum deveriam ser permitidas escutas no âmbito da investigação criminal em Portugal. Isto porque já se fazia muita e boa investigação criminal antes de existirem telefones e escutas em Portugal. Resta só acrescentar que eliminar as escutas telefónicas num contexto de facílima mobilidade das redes criminosas é dar um rude golpe na investigação dos crimes mais complexos como a corrupção e o branqueamento de capitais. E fazer entender que nenhum sistema penal moderno na Europa ou nos Estados Unidos prescinde das ditas escutas.

Luís Filipe Menezes, por sua vez, não pode ser escutado. Considerou o juiz de instrução que não estavam reunidos os requisitos para lançar esse meio de vigilância sobre tão considerável ex-autarca. Deve existir algum critério desconhecido ou uma qualquer mão invisível que torna as escutas muito mais difíceis de fazer a dirigentes (políticos ou desportivos) no norte do país do que em qualquer outra zona do território.

A discussão do enriquecimento ilícito toca verdadeiramente na alma deste grupo de privilegiados, que por isso reagem. Segundo Ricardo Rodrigues, antigo vice-presidente da bancada do PS, vetar a criação desse regime era uma obrigação em nome da ‘verticalidade’. Aplaudido por muitos, claro, ao largo de todo o hemiciclo de São Bento.

São curiosos e intrigantes os tempos que vivemos. Uma mão-cheia de políticos chega a Lisboa com magros rendimentos e abandona os círculos do poder com apartamentos espalhados pela cidade e verdadeiras mansões de verão nas suas zonas rurais de proveniência.

Mas não! Não está definido o bem jurídico protegido! Não está salvaguardada a presunção de inocência! É à investigação que cabe provar.

Ninguém se lembra já que ética republicana é sobretudo transparência. E a festa continua, até ao dia em que os portugueses se fartem de vez desta justiça de privilegiados!


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