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André Ventura

Etnia e Estado de Direito

A comunidade cigana entende, muitas vezes, que não deve obediência às regras do Estado de Direito.

André Ventura 3 de Outubro de 2016 às 00:30
Mais um tiroteio, desta vez em Porto Alto. Mais um resultado trágico de vidas ceifadas e agentes de autoridade feridos. Uma comunidade em choque. Insultos, ameaças e pranto em frente às instalações policiais e de outros serviços públicos. Um denominador comum com outros casos a que assistimos ainda este ano: indivíduos de etnia cigana com acesso a armas de fogo e em notório desrespeito pelas ordens das forças policiais. Casos que se repetem ano após ano (por vezes mês após mês) e que vão desde situações envolvendo pequenos crimes de roubo a tráfico de droga, passando por histórias de evasão da prisão ou meros ajustes de contas entre famílias.

Será a comunidade cigana portuguesa pior que as restantes minorias? Certamente que não! São os ciganos mais propensos ao crime do que os restantes portugueses? Naturalmente que a resposta é, mais uma vez, negativa.

Os dados, no entanto, estão aí e não podem ser ignorados. As comunidades ciganas - sobretudo no Grande Porto e na Grande Lisboa - estão demasiadas vezes associadas a episódios de criminalidade com armas de fogo. A ligação a grupos organizados de tráfico de droga é, também, elevada. E a população prisional de etnia cigana é anormalmente desproporcional face à percentagem que representa em termos de população.

Será discriminação por parte das autoridades? Preconceito por parte de juízes e procuradores? Não me parece.

Há um problema com a integração dos ciganos em Portugal. Predomina entre a comunidade um sentimento de guetização e, no meu entender, uma generalizada sensação de impunidade e desconsideração pelas instituições públicas, desde o poder político às forças policiais. Como se pudessem viver numa espécie de ilha ao largo da cidade: recebendo os benefícios (e o dinheiro) do Estado, mas evitando imposição de regras. É um problema a resolver e onde o Estado de Direito não pode ceder às tradicionais ladainhas do racismo e da xenofobia.

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A Personalidade: António Guterres
O antigo primeiro-ministro manteve-se sereno com a entrada na corrida à liderança da ONU, à última hora, da vice-presidente da Comissão Europeia, que reúne o apoio de Ban Ki-moon e de Angela Merkel. Confiante nas suas capacidades, Guterres percorreu todos os passos exigidos com empenho e transparência. Uma candidatura que deve orgulhar Portugal.

Positivo: CMTV
A CMTV venceu, durante o mês de setembro, todos os canais de informação. Audiências que não deixam dúvidas da preferência dos portugueses.

Negativo: Refugiados
Quando voltam a intensificar-se os bombardeamentos na Síria, a Europa ainda não definiu uma política comum relativa aos milhares de refugiados que tentam entrar no Continente Europeu.
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