O mundo pós-Manchester

André Ventura

O mundo pós-Manchester

Mais cedo ou mais tarde, este terrorismo horrífico vai-nos obrigar a discutir a pena de morte.
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Por André Ventura|29.05.17
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Deixemo-nos de ilusões: este terrorismo nada tem a ver com o terrorismo ideológico dos anos 70 e 80 e afasta-se a passos largos do ‘tradicional’ terrorismo de inspiração islâmica do Hezbollah e da Al-Qaeda. É tudo horrificamente simples: matar o maior número de pessoas possível e chocar o mundo de forma incontornavelmente impactante, elevando sistematicamente o nível de horror a que estamos habituados. Se para isso for necessário estropiar crianças ou aniquilar os pais que as esperam ansiosos às portas de um concerto... então seja!

O nosso direito penal parte de um princípio fundamental: as pessoas podem ser reabilitadas e as sanções devem servir para cumprir esse objetivo. O problema coloca-se quando falamos de seres humanos cuja capacidade de reinserção e readaptação se aproxima, segundo todos os estudos, de níveis próximos do zero, isto é, do impossível. Pior: quando as cadeias servem para aprofundar sentimentos de ódio e ressentimento contra as sociedades onde viveram e cresceram, ajudando a recriar novas células com os mesmos objetivos mortíferos dos ataques que eles, quando em liberdade, perpetraram.

O potencial perigo deste terrorismo desumano e apoteótico não é apenas sobre as potenciais vítimas, famílias e amigos. Que, só por si, já justificaria todo o empenho da nossa parte. É o risco que lança sobre as sociedades ocidentais. Alguém pensa que o sistema democrático tal como o conhecemos ficará imune a este tipo de ataques indefinidamente? É preciso agir sem reservas e preconceitos. O direito penal tradicional não tem já instrumentos capazes de responder a esta máquina de carnificina que se infiltrou no âmago do nosso tecido social. Vamos pensar assim: se os nossos militares têm legitimidade para matar o maior número de terroristas possível nas suas bases no Médio Oriente, porque não o podem fazer os tribunais, quando os inimigos vivem dentro das nossas fronteiras?

A personalidade: José Mourinho
O treinador português fez uma travessia do deserto mas voltou, finalmente, aos títulos europeus. O Man. United de Mourinho não conseguiu impor-se na Premier League mas venceu a Liga Europa e marcará presença na próxima edição da Champions. O técnico de Setúbal volta a estar entre os melhores da Europa. 

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