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André Ventura

Os Portugal Papers

Ex-ministros, políticos e comentadores televisivos do prime time. Por cá fica tudo na mesma!

André Ventura 18 de Abril de 2016 às 01:45
É tempo de os europeus – e especialmente os portugueses – perceberem que a classe política e alguns dos comentadores televisivos do prime time têm sido de uma enorme hipocrisia em matéria de offshores e de paraísos fiscais. Belos discursos, troca de piropos e acusações políticas que aquecem as tardes parlamentares… mas não mais do que isso! Cosmopolitas reuniões em Bruxelas, rodas de imprensa mornas em Estrasburgo… para ficar tudo na mesma! Palavras diferentes, mas tudo na mesma!

Alguém, com um mínimo de razoabilidade, acha que, se quisesse verdadeiramente, a União Europeia não conseguiria obrigar o Panamá a cooperar em matéria fiscal? Assim como muitas outras ilhotas espalhadas pelas Caraíbas e que fazem do secretismo fiscal e financeiro a sua principal fonte de receitas?

Não, isto não é ingenuidade negocial ou impreparação diplomática! É cinismo e hipocrisia! Convém à elite política e aos amigos empresários – aqueles que financiam empenhadamente as campanhas eleitorais – que subsistam no mundo ilhas sem rei nem lei, lugares cinzentos de legalidade por onde os milhões passam para esconder o seu rasto ou simplesmente ficam ocultos até à oportunidade certa para o seu levantamento.

Quando vemos saírem, incessantemente, nomes vários do PS ou do PSD ligados a bancos, consultores ou sociedades de advogados que desenharam ou assessoraram operações com a Mossack Fonseca, que sensação fica no ar? Para lá de uma classe política perigosamente ligada a interesses obscuros e subterrâneos, a certeza incontornável de que, além de palavras bonitas e de circunstância, nenhum dirigente político em Portugal vai fazer o que quer que seja para pôr fim à sangria de milhões do país para zonas offshore.

Enquanto ministros se demitem por essa Europa fora e comentadores abandonam os seus palcos habituais, por cá fica tudo na mesma! São os Portugal Papers, a versão em bons costumes do escândalo mundial.

A personalidade: Vítor Baía
O antigo guarda-redes do Futebol Clube do Porto teve a coragem de, em plena semana eleitoral do clube, exigir uma auditoria completa às transferências e comissões que têm vindo a público nas últimas semanas. Uma voz incómoda pela transparência e pela verdade, num momento em que os azuis-e-brancos bateram no fundo em matéria desportiva.

Positivo: Vaticano
O Vaticano vai receber 12 refugiados sírios e ajudar à sua plena integração social. Um gesto pequeno, mas simbólico da Igreja humanista que o mundo precisa.

Negativo: luta mortal
A morte de João ‘Rafeiro’ Carvalho em Dublin, após a sua primeira luta internacional, veio chamar a atenção para a necessidade de legislação mais restrita nestes desportos.
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