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André Ventura

Polícias e subúrbios

O país não pode abdicar da Autoridade da polícia nos grandes subúrbios. É preciso controlar a violência crescente.

André Ventura 19 de Setembro de 2016 às 01:45
A semana ficou marcada por mais um triste episódio de agressão a agentes policiais, desta vez na Rinchoa, concelho de Sintra. Ainda com muito por apurar, uma coisa é certa: estes episódios são reveladores de uma vasta cultura de desrespeito pela lei e pelos seus vários braços armados que está instalada nos subúrbios dos grandes aglomerados urbanos, sobretudo em Lisboa e no Porto.

As imagens falam por si: a desconfiança inata perante qualquer farda, o sentimento genuíno de ódio e desprezo pelas forças da ordem e um estranho enaltecimento juvenil pelo confronto com a autoridade marcam o clima dominante entre vários estratos populacionais nas grandes zonas urbanas. Como se ser anti-Estado, anti-polícia e anti-lei fosse uma espécie de característica imprescindível para se ser aceite entre os seus pares em determinadas zonas do país.

Tão grave quanto esta cultura de alienação juvenil é a desresponsabilização que pais e avós, muitas vezes imigrantes que se refugiam nestas regiões de habitação mais barata e população multi-étnica, promovem nestas zonas.

Não é incomum ver esses ascendentes - que deveriam ser os primeiros baluartes da educação das crianças e dos jovens - a protestar euforicamente contra aos agentes de autoridade, muitas vezes competindo com os grupos juvenis em violência e espetáculo de agressividade.

Fazem falta duas realidades essenciais para controlar esta violência crescente: mão pesada sobre qualquer grupo que ateime em substituir as forças da ordem no controlo dos bairros e das ruas do país e uma política de segurança específica para os subúrbios.

Discriminação injustificada? Xenofobia? Nada disso. Implementar políticas de segurança dentro de aglomerados populacionais, de variedade étnica e onde grassa uma descontrolado sentimento anti-Estado de Direito é muito diferente do que fazê-lo em zonas turísticas. Vale aqui a velha premissa do filósofo: admitir o problema é o primeiro passo para o combater.

A personalidade: Carlos Alexandre
O juiz de instrução mais mediático do país tem provocado comentários de todos os tipos, após ter sido divulgada uma entrevista que concedeu a uma TV. Sócrates e os seus advogados pediram o seu afastamento do processo Marquês e o juiz clama que ‘o querem afastar de tudo’. Haverá interesses obscuros a querer reformar antecipadamente o ‘super juiz’?

Positivo: Síria
Ainda que frágil, intermitente e recebido com imenso ceticismo pelos grupos armados e pelo regime, o cessar-fogo apadrinhado pelos EUA e pela Rússia pode ser uma oportunidade para a paz.

Negativo: Champions
As equipas portuguesas ficaram aquém do desejado na primeira ronda da liga milionária. Espera-se mais futebol e melhor sorte nas próximas semanas.
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