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André Ventura

Violência doméstica: um problema

Deixemo-nos de hipocrisias: somos todos culpados deste flagelo. Vítimas, pais, escolas, tribunais e políticos.

André Ventura 9 de Janeiro de 2017 às 01:45
O recente e chocante caso de Anabela Lopes, em Grândola, voltou a catapultar para as primeiras páginas dos jornais o problema gravíssimo de violência doméstica que Portugal continua a viver.

No caso de Grândola dá-se um encontro explosivo de vontades, percursos e emoções que muito dificilmente terminaria de forma positiva. Uma mulher frequentemente envolvida em episódios de conflito – e, tanto quanto sei, de violência – em meio familiar. Um homem já condenado por violação de uma menor e com um largo historial de agressividade conhecido de todos na região. Como poderia terminar bem?

Este caso deve fazer-nos pensar no papel que as próprias vítimas têm, muitas vezes, na construção e na definição das suas vidas em termos de relação com o agressor e com o próprio comportamento violento: instigando muitas vezes à violência o companheiro, com os filhos ou em diferentes contextos sociais, estas mulheres são depois vítimas de um efeito boomerang, voltando-se contra si o agressor quando as circunstâncias se alteram e o sentimento de posse aumenta ou o ciúme se torna doentio e insuportável.

Quer isto dizer que são as vítimas, então, as grandes responsáveis dos níveis de violência doméstica em Portugal? De todo. O que se quer afirmar é que estamos perante um problema cultural em que todos – desde os tribunais às próprias vítimas – temos a nossa quota de responsabilidade. E, neste caso, a solução apenas pode passar por um compromisso: os tribunais têm de ser firmes no sancionamento destes comportamentos; as escolas devem afirmar os valores supremos da igualdade e da tolerância.

Mas as próprias vítimas têm também elas de repudiar, desde o primeiro momento, qualquer comportamento violento, dentro e fora da célula familiar. Como dizia um autor brasileiro ‘há casos que são fatalidade, dedo do destino. Mas muitos outros são cegueira e complacência, mesmo dos que sofrem’.

A personalidade: Mário Soares
O antigo Presidente faleceu sábado, em Lisboa, e a sua morte teve eco um pouco por todo o Mundo, como um dos fundadores do Portugal moderno e democrático. Tendo exercido os mais diversos cargos de responsabilidade pública, em tempos de crise e de prosperidade, ninguém fica mais associado do que Mário Soares ao Portugal europeu e democrático de hoje.

Positivo: viagem à Índia
A viagem histórica e inédita, em democracia, de um primeiro-ministro português à Índia, encerra múltiplas oportunidades económicas e tecnológicas que devem ser aproveitadas.

Negativo: arbitragem
A inadmissível pressão sobre as arbitragens no futebol, sobretudo nas últimas semanas, veio criar um intolerável clima de medo e desconforto no futebol português.
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