Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

André Veríssimo

A ilusão do IRS

O cheque do Fisco, maior de ano para ano, vai ser mais chorudo em 2019.

André Veríssimo 5 de Janeiro de 2018 às 00:30
O Estado reter em excesso os impostos dos contribuintes é, em princípio, errado. Desde logo porque esse dinheiro na verdade não lhe pertence, além de que priva o seu verdadeiro dono da oportunidade de com ele fazer o que bem entende, seja poupar ou fazer face a despesas.

A verdade é que todos os Governos o fazem. Até porque dá jeito repartir por dois anos o impacto nas contas públicas. O imposto que vai sendo retido é superior ao que de facto se tem de pagar em função da taxa de IRS definida. É isto que faz com que entre abril e agosto, grosso modo, milhões de portugueses recebam um cheque do Fisco com o acerto de contas do imposto do ano anterior.

Há uma dose razoável para esta poupança imposta aos contribuintes? O valor dos reembolsos tem vindo a aumentar nos últimos anos - foram 2560 milhões referentes a 2016, segundo o último balanço. E vão aumentar na cobrança deste ano: simulações feitas pelas consultoras permitem concluir que em 2018 a retenção pode comer metade do alívio ditado pelas novas taxas. Soa a excessivo.

O cheque do Fisco, maior de ano para ano, vai ser ainda mais chorudo em 2019, ano de eleições. Parece um prémio, mas é tudo ilusão. Na verdade é só dinheiro que o contribuinte adiantou ao Estado.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)