Quando a imaginação falha ou o interesse do público arrefece, uma rubrica de apanhados, repetida ou apresentada de forma supostamente original, funciona. Gostamos de ver os outros a fazer de palhaços, quem sabe se para nos convencermos de que não estamos sozinhos.
O mérito de ‘E se fosse consigo?’, da SIC, vai muito para além da simples captação de audiências, embora os resultados sejam bons: 1,25 milhões de espectadores, na última segunda-feira, "metendo-se" na luta das telenovelas e ficando bastante acima dos telejornais.
É que o programa de Conceição Lino, agradando aos que procuram apenas divertimento, "apanha" também quem se rege por maiores exigências de preocupação social, servindo uns e outros pela sua forte componente pedagógica e constituindo assim verdadeiro serviço público.
Em tempos de puro materialismo e de tanta, e trágica, indiferença pela importância dos valores morais, nada mais oportuno do que este ‘E se fosse consigo?’, que divertindo todos deixa a muitos "distraídos" um poderoso alerta para a necessidade de combater a perversidade dos preconceitos. E lança às mentes escuras uma advertência que pode travar tendências, criminosas, de violência sobre os mais fracos. Não é coisa pouca.
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