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Armando Esteves Pereira

Tempestade à vista

A inflação e os juros vão provocar tempestade na economia.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 10 de Junho de 2022 às 00:32
O ciclo do dinheiro barato acabou. A sinalização de um aumento duplo das taxas do BCE este verão fecha o período em que assistimos pela primeira vez na história a taxas negativas. A política monetária que acabou com a crise financeira iniciada em 2008 e salvou a moeda única, que esteve em risco com o ataque às dívidas soberanas dos países mais frágeis do Sul da Europa, chegou ao fim. A inflação galopante obriga a essa mudança, e apesar do aumento do preço do dinheiro em julho e setembro, os juros ainda ficarão longe dos valores da inflação, que a guerra na Ucrânia acelerou.

As famílias endividadas já começam a sentir os custos do dinheiro mais caro. A cada atualização das taxas, haverá aumento da prestação, o que a somar à inflação escaldante tira cada vez mais rendimento ao magro orçamento das famílias.

Mas a maior tempestade é para as Finanças Públicas. O agravamento dos juros num país que tem dos maiores rácios de dívida do Mundo é sinónimo de tempestade que vai afetar a economia. A subida de juros e a inflação com provável travagem da economia ressuscita os velhos fantasmas da estagflação: um palavrão que nos anos de 1970 e 1980 conhecíamos com o nome de crise. 



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