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Armando Esteves Pereira

O salário nu e cru

O duodécimo dava a ilusão que a retenção na fonte não seria tão pesada.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 25 de Novembro de 2017 às 00:31
O pagamento de metade do subsídio de férias e de Natal em duodécimos foi um truque criado no Orçamento do Estado de 2012 para mitigar o brutal aumento de impostos anunciado pelo então ministro das Finanças, Vítor Gaspar.

O duodécimo dava a ilusão que a retenção na fonte não seria tão pesada. No verão e no Natal os trabalhadores por conta de outrem já notavam a diferença.

Com o tempo, o duodécimo foi-se entranhado até que quinta-feira passada foi aprovada uma proposta no Orçamento que passa para a regra antiga. Subsídios de férias e de Natal por inteiro, mas em troca os trabalhadores ficam ao fim do mês sem uma parcela do rendimento líquido, de aproximadamente 8,3%.

Ao fim do ano não há diferença, mas na gestão mensal das famílias pode haver problemas de tesouraria com o salário nu e cru, porque apesar do ligeiro alívio do IRS e do fim da sobretaxa, os trabalhadores ainda pagam uma carga fiscal muito superior a 2011, o ano em que recebiam o salário sem duodécimo.
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