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Armando Esteves Pereira

O mérito da Justiça

Após a detenção de José Sócrates, surgiu no espaço político-mediático uma inusitada onda de indignação.

Armando Esteves Pereira(armandoestevespereira@cmjornal.pt) 5 de Dezembro de 2014 às 00:30

Após a detenção de José Sócrates, surgiu no espaço político-mediático uma inusitada onda de indignação. Se é compreensível que os amigos do ex-primeiro-ministro o defendam, já é estranho que outras personalidades entrem numa deriva irresponsável, numa das raras vezes em que o sistema de Justiça funciona quando estão poderosos em causa, respeitando a separação de poderes. Novidade é investigar os crimes sem olhar a quem são os suspeitos.

Curiosamente, quando no consulado socrático o presidente do Supremo e o PGR livraram o então primeiro-ministro de ser investigado no processo Face Oculta, ou quando a hierarquia do Ministério Público limpou as suspeitas do atual preso 44 de Évora no caso Freeport ou na polémica licenciatura, poucas vozes se ouviram sobre a Justiça que não era cega e olhava a quem investigava. Até Rui Rio se mostra chocado com a prisão do ex-primeiro-ministro. Chocante é, num país onde as estatísticas dizem que 10% da despesa de negócios do Estado é para corrupção – o que significa que alguns milhares de milhões vão anualmente dos bolsos dos contribuintes para corruptos –, quase ninguém ser detido por isso. E, como sabemos, a corrupção é um cancro que mina a democracia e nos empobrece a todos, afastando as empresas mais competitivas e obrigando-nos a pagar mais pelos serviços e pelas obras públicas.

Esta indignação mostra também o pouco valor que em Portugal se dá à liberdade de imprensa. E esse é um caminho perigoso. Se regressar a censura, este país fica ainda pior e mais pobre.

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