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Assunção Cristas

Mais dívida para quê, mesmo?

Em 2016 Medina orgulhou-se de ter reduzido 14 milhões mas este ano já acrescentou 51.

Assunção Cristas 9 de Março de 2017 às 00:30
Fernando Medina anunciou com pompa e circunstância a contração de 250 milhões de euros de dívida junto do Banco Europeu de Investimento (BEI) para usar durante quatro anos e pagar durante mais vinte. Para 2017, o Tribunal de Contas exigiu saber quanto iria ser gasto e, indicativamente, em que obras. Medina fez uma lista de 119 obras, mas que nos deixaram perplexos: umas estão em curso e outras só estão previstas executar para lá de 2017. Falta de rigor e transparência são uma constante neste executivo.

A Câmara Municipal de Lisboa tem uma dívida de 1181 milhões de euros: 250 milhões de euros é quase um quarto! Em 2016 Medina orgulhou-se de ter reduzido 14 milhões, mas em 2017 já está a acrescentar mais 51! É verdade que o BEI empresta dinheiro barato, que deve ser bem aproveitado, mas também é verdade que esse dinheiro tem de ser pago e por isso mesmo é bom escrutinar bem as prioridades.

E, do que vemos, ficamos chocados: por exemplo, apenas 800 mil euros estão destinados a reabilitar 70 casas de habitação social, sendo que só a obra de cosmética no eixo central custou 10 vezes mais! E recordo que 1600 casas de habitação social estão fechadas à espera de obras e de atribuição.

É preciso mais verba para o combate à pobreza e a criação de condições de vida para quem mais precisa. Quando há pessoas a dormir na rua, essa tem de ser uma prioridade da Câmara Municipal de Lisboa. Quando há pessoas a viver em situações miseráveis, e tantas vezes em bairros camarários degradados, a habitação condigna tem de ser uma prioridade.

Supervisão bancária: é preciso fazer mais!
Ao fim de quase ano e meio de governo das esquerdas unidas é bastante evidente que não têm ideias sobre supervisão na banca e só se entretêm a discutir nomes.

O CDS há muitos anos que dá uma especial atenção aos temas da supervisão bancária, basta lembrar o Nuno Melo na comissão de inquérito do BPN ou a Cecília Meireles e o João Almeida na do BES. Muitas vezes fomos e somos críticos da atuação do Banco de Portugal, mas não nos limitamos a criticar, temos ideias concretas e projetos para apresentar e discutir no Parlamento. Porque fazemos sempre política positiva, política construtiva. Hoje interpelamos o Governo sobre as ideias que prometeu, mais ainda não apresentou, e colocaremos em cima da mesa as nossas.

No conjunto das nossas várias propostas, defendemos a nomeação do governador do Banco de Portugal e demais reguladores pelo Presidente da República, depois de propostos pelo Governo e ouvidos no Parlamento.
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