Barra Cofina

Correio da Manhã

Colunistas
6
Piloto morre em corrida de motos no Estoril

Assunção Cristas

O que são as famosas cativações?

O Governo adotou a estratégia errada de satisfazer as esquerdas radicais.

Assunção Cristas 27 de Outubro de 2016 às 13:00
O Governo das esquerdas, à falta de crescimento económico e de receita, usa e abusa das cativações. E o seu resultado é a enorme degradação dos serviços públicos.

Quando vemos as escolas a encerrar porque não há vigilantes, houve cativação; quando vemos cirurgias adiadas, houve cativação; quando a polícia não consegue abastecer os carros, houve cativação; quando as empresas de transportes, do Metro à Carris, não têm carruagens e autocarros em número e condições adequadas, houve cativação; quando se param os estágios do IEFP, houve cativação; quando o investimento público cai 11%, houve cativação; quando os projetos de investimento, agrícolas ou outros, não são aprovados, houve cativação.

O que são então as famosas cativações? Um instrumento dos ministros das Finanças para controlar a despesa pública. Congelam uma parte da despesa que pode ser descongelada ou, ao invés, agravada.

Se, por exemplo, se esperavam 100 de receita e só entraram 80, então o congelamento da despesa transforma-se em corte. Esta ferramenta tem um grande problema: é cega à qualidade da despesa, porque não verifica previamente se esta é ou não imprescindível. A "descativação" é uma batalha que pode durar meses e não ter sucesso. Esta é hoje a nossa realidade: serviços públicos degradados.

O Governo adotou a estratégia errada de satisfazer as esquerdas radicais, e o dinheiro não estica. Teima em não ver a realidade e não quer dar ao Parlamento a informação para o confrontar.

Dinheiro que não custa ganhar não custa a gastar
A CML foi condenada a pagar 138 milhões de euros por conta dos terrenos da Feira Popular. Aguarda-se o recurso, mas parece claro que os munícipes vão pagar pela decisão desastrada de António Costa e Fernando Medina, contra a qual o CDS votou. É muito dinheiro (o orçamento da CML é de 775 milhões): ficámos preocupados. Já o atual vice-presidente mostrou-se despreocupado porque "há folga": ficámos perplexos.

1. O dinheiro da CML sai do bolso dos munícipes, das empresas, dos turistas. Usá-lo bem é respeitá-los.
2. Há muitas áreas onde aplicar bem esse dinheiro, das obras nos bairros sociais à ação social junto dos pobres e idosos.
3. Se há grandes folgas, deve ser possível baixar impostos e eliminar taxas, sobretudo quando são de legalidade duvidosa (lembram-se da taxa da proteção civil?).
4. Já esta semana, Fernando Medina disse que um empréstimo de 250 milhões do BEI vai revolucionar a cidade. 250 revolucionam e 138 não preocupam?!

Trabalho persistente e árduo dá frutos
A seleção feminina de futebol rompeu a barreira do apuramento para o Europeu e está, pela primeira vez, a disputar esta grande competição. É a prova de que o trabalho persistente e árduo dá frutos. É uma especial alegria para todas as mulheres portuguesas: parabéns e obrigada! Também do lado masculino o nosso futebol continua em alta, com o jovem Renato Sanches a ser eleito "golden boy". Parabéns!

Um filme lamentável que não se pode repetir
Esconder ao Parlamento informação essencial para compreender as contas deste ano e as comparar com o Orçamento é uma violação inadmissível da lei. Não surpreende porque vem de António Costa: também no seu tempo de Lisboa só deu informação a um jornal depois de obrigado pelo tribunal! Esperemos que esse filme lamentável não se repita e que o Governo envie os documentos, como por fim se comprometeu.

Um mestre na cartografia das emoções
O Cinema Ideal, em Lisboa, foi o sítio perfeito para ver o novo filme de Almodóvar e matar saudades de muitos meses sem ir ao cinema. Como sempre, um filme pungente, sobre a dor da perda e a alegria do reencontro. Não sendo dos seus melhores filmes, mostra como Almodóvar continua a ser um mestre na cartografia das emoções, com este ‘Julieta’, que adapta dois contos da escritora canadiana Alice M.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)