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Assunção Cristas

Ouvir Lisboa: Mobilidade para todos

Lisboa tem de ser amiga dos que nela habitam, dos que nela trabalham e dos que a visitam.

Assunção Cristas 6 de Abril de 2017 às 00:30
Como ainda esta semana vimos na nossa conferência ‘Ouvir Lisboa’, há um consenso alargado quanto ao drama da mobilidade. A mobilidade em Lisboa degradou-se nos últimos anos. Ninguém está satisfeito: utentes de transportes coletivos, automobilistas residentes na cidade e fora dela, motociclistas, ciclistas, peões, nomeadamente quando têm limitações na mobilidade.

Faltam transportes coletivos de qualidade, em número, frequência e previsibilidade; falta articulação entre todos os meios e as empresas que os operam; falta estacionamento para residentes; falta estacionamento dissuasor (e ligação eficaz a transportes públicos) para não residentes.

Lisboa tem de ser amiga dos que a habitam, dos que nela trabalham diariamente e dos que a visitam em trabalho ou lazer. Isso faz-se tornando fácil circular na cidade, com soluções coletivas e individuais interligadas de forma inteligente e dando as razões certas para as nossas escolhas.

O que for mais cómodo, mais previsível, mais barato e mais rápido é certamente o meio escolhido. Se a isto juntarmos o benefício para a saúde, melhor. Provavelmente para as nossas deslocações não estará em causa um único meio, mas uma conjugação de meios que tem de ser fácil de perceber e de operacionalizar. Isto faz-se com informação atual, de consulta muito fácil e com bilhetes que sirvam para tudo. Faz-se com investimento no transporte coletivo e com interligações entre os vários meios. É nisto que vamos trabalhar. Começar pelo telhado, como fez Medina, é tornar Lisboa num inferno, desrespeitando os lisboetas e todos os precisam de circular na cidade.

Habitação social: vergonha pelas casas fechadas  
A Kátia vive em casa da mãe, ocupa um quarto com os cinco filhos, o apartamento ao lado está devoluto há mais de 10 anos. A Irene vive com o marido e os 2 filhos num quarto, ao todo são 15 na casa, mesmo em cima há um apartamento de 3 quartos desabitado.

A Vera dorme com os dois filhos num quarto em casa da mãe. Poderia repetir muitas histórias contadas pelos próprios e que têm um traço em comum: há pessoas em situações desesperadas a aguardar uma casa há anos, que simplesmente não compreendem como podem existir tantas casas de habitação social fechadas sem serem atribuídas.

Esta semana, só no bairro da Flamenga (Marvila), foram ‘emparedadas’ mais 18 casas para evitar ocupações abusivas. Ninguém defende ocupações ilegítimas – nem os moradores, que em desespero a elas recorrem – mas ninguém compreende esta inação da CML. Estimamos que haja 1600 casas de habitação social fechadas em Lisboa.

Isto é vergonhoso, inadmissível e imoral. Basta!

Tragédia em Lamego em fábrica de pirotecnia
A explosão numa fábrica de pirotecnia, que roubou oito vidas, deixou-nos a todos em estado de choque. Reforço aqui as minhas sentidas condolências aos familiares, amigos das vítimas e à população abalada com a tragédia.

Em Portugal, só nos últimos 12 anos, já morreram 20 pessoas vítimas de acidentes deste género. Tem de ser feito algo mais para reforçar a segurança de quem trabalha na indústria da pirotecnia.

Rússia: terrorismo ataca em nova frente
Continuaremos sempre a indignar-nos e a condenar todo e qualquer ato de terrorismo, seja qual for a geografia. Desta vez a tragédia aconteceu em S.Petersburgo.

Temos de reforçar os esforços para garantir melhor qualidade de informação, partilhada entre os países unidos no objetivo comum de lutar pela liberdade e vencer o terrorismo. No Parlamento, o CDS apresentou um pacote legislativo precisamente sobre estas matérias.

Os números da agricultura fazem-nos sorrir
Agricultura em alta! Os números de 2011 a 2015 mostram que o setor agrícola cresceu acima da economia, cresceu em produtividade e bateu sucessivamente records de exportação.

É mérito do setor, de muitos pequenos e médios agricultores, mas também de grandes agricultores. Todos contribuem para estes resultados. Parabéns! É pena que este Governo em vez de ajudar queira agora aumentar o IMI rural!

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