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Baptista-Bastos

Eles não mudam

Faltam médicos, faltam enfermeiros, falta, sobretudo, vergonha a esta gente.

Baptista-Bastos 21 de Janeiro de 2015 às 00:30

O ministro Pires de Lima chegou ao proscénio e, grave e assertivo, sem a mínima sombra a toldar-lhe a límpida certeza, disse que os sindicatos não concordantes com o Governo, no caso da TAP, seriam afastados dos "benefícios" estabelecidos. Além de proceder a implacáveis marginalidades, o cruel ministro parece ignorar a Lei Geral do Trabalho, que impede este e outro tipo de eliminações. No dia seguinte, afobado e não dissimulando a triste tortura por que passava, o primeiro-ministro desmentiu o ministro, fornecendo ao português comum a convicção, já presumida pelo português comum, de que, no Governo, ninguém se entende. Ou, então, que as instruções do dr. Passos Coelho não são mais do que puro exercício de retórica, que os ministros desconsideram.

O imbróglio acumula-se às omissões, às mentiras, às evasivas de um Executivo que nos não respeita porque se não respeita a ele mesmo. Um Executivo que vive no turvo país dos mitos, desordenado e caótico, no qual cada ministro diz o que lhe vem à boca sem peso, conta e medida. Além de falar num idioma de eguariço.

Pires de Lima desiludiu-me. Parecia-me a devolução da imagem de seu pai, pelo qual mantenho consideração, e cujo ar sacudido e agreste escondia o zelo de um homem sério e justo. Ao colaborar com este despautério, que nos arruína o escasso rendimento, nos assassina a esperança e nos seca a alma, o ministro, este ministro não só o não reconhece como (o caso da TAP assim o revela, na exclusão admitida) bate palmas, renegando a própria designação cristã do seu partido e, acaso, um legado familiar.

O desmoronar da imagem de Pires de Lima acompanha o arrasar da ideia bondosa que fazíamos de Paulo Macedo, acusado de patrocinar a destruição do Serviço Nacional de Saúde, exemplificada com as oito mortes ocorridas pela ausência de assistência, em diversas Urgências, em, pelo menos, cinco hospitais.

Faltam médicos, faltam enfermeiros, faltam serviços de apoio; falta, sobretudo, vergonha a esta gente, que nos fere, nos despreza e nos condena a uma vil existência. A adicionar ao drama português ponha lá a endemia que parece ter atacado gente, presuntivamente gente de bem, que muda de cor e de palavra logo-assim chega ao poder.

Eles são o que sempre foram.

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